Adaptação da mãe depois de mudar de país

Morar em portugal (1)

O post de hoje tem um pouco de história, de dica e de desabafo. É um post diferente dos que venho fazendo aqui no blog, já que  mostra mais como eu, a Cláudia, mãe de duas filhas, esposa, filha, irmã, amiga e profissional vem se sentindo após a mudança para Portugal. É recheado de sentimentos e tem mais perguntas que respostas. Se você quer mudar de país ou até mesmo já mudou, talvez venha a se identificar. Uma coisa é certa, você não está sozinha(o).

Para quem chegou aqui agora, nossa família mudou para Portugal, do Brasil, em março de 2017 e contamos aqui no blog como vem sendo nossa vida nova através de vários posts que você pode encontrar aqui.

 

Adaptação da mãe

A mãe (eu) e as filhas em Portugal

 

Adaptação da mãe depois de mudar de país

 

Mas porque da mãe? O pai não tem vez aqui? kkk 

Não é isso… é que quem escreve sou eu, e vou contar um pouco da minha vivência pós-mudança. O pai tem os desafios e as percepções dele que, talvez, quem sabe, eu conte em um próximo post.

Não sei vocês por aí, mas aqui em casa o planejamento da viagem foi 90% meu. Até aqui nada de novo, pois aliando meu gosto em planejar com minha experiência profissional, acaba que não é nenhum sacrifício, pelo contrário. Sempre foi assim nas nossas viagens e, na mudança de país não seria diferente.

Em termos de preparação para a mudança, já contei em vários posts aqui no blog, então vou pular essa parte e partir direto para como está minha vida agora, quase um ano depois.

Pensa em um tsunami bom. Uma onda gigante que mistura euforia, encantamento, deslumbramento, solidão, saudade, perplexidade e frustração. Mais ou menos isso… Em meio ao caos da mudança, some-se o fato de ter que gerenciar a mudança de duas crianças e tudo o que isso traz de desafios. Os primeiros meses, o desenrolar do ano e a vida nova é o que vou contar hoje.

Antes, no entanto, acho importante salientar que cada pessoa ou cada família terá sua própria experiência. Podemos nos identificar em algo aqui, outra coisa ali, mas o fato é que cada um vem com um tipo de visto, uma condição financeira, uma expectativa própria e isso é muito importante.

No nosso caso, durante os 3 primeiros meses, a vida foi muito em torno de documentação, burocracia, compra de carro, adaptação das meninas na escola e passeios, muitos passeios. Ainda não tínhamos amigos aqui (um ou outro que ainda estávamos conhecendo), nossa família ficou no Brasil e eu, como mãe, tratava de tentar me adaptar às novas funções que morar aqui se fizeram necessárias.

No Brasil eu trabalhava fora e tinha ajuda em casa. Lá eu tinha uma pessoa, desde que a Juliana nasceu, que ia todos os dias e cuidava das tarefas domésticas. Aqui, sou eu e o marido. Ao menos foi assim até bem pouco tempo. Para quem vem, saiba que é possível sim ter ajuda em casa. Custa na faixa de 7€ a 10€ a hora e você fornece todo o material de limpeza.

 

adaptação da mãe

As meninas agora arrumam seus quartos!

 

As meninas, no Brasil, faziam quase nada para ajudar em casa. Mesmo eu fazendo questão de mostrar a elas o quão importante é a organização e a responsabilidade sobre suas coisas, a correria do dia a dia acabava deixando as meninas beeeem confortáveis nesta questão. E vou confessar que isso era uma coisa que me incomodava muito.

Chegamos aqui e uma das primeiras coisas que mudamos foi a rotina de arrumação da casa. Eu e o marido arrumamos a casa diariamente, cozinhamos todos os dias e uma vez por semana fazemos uma faxina geral, trocamos as roupas de cama, aspiramos o pó (e como tem pó nessa terra!), passamos pano no chão, limpamos o banheiro, etc. Imagina a mudança de vida! E as pessoas acham que é puro glamour…

 

Adaptação da mãe depois de mudar de país

Poucos móveis torna a arrumação mais fácil

 

Até novembro passado estávamos em apartamentos airbnb, o que fazia com que os móveis e a decoração não fosse nossa. Nem os aparelhos e equipamentos de limpeza. Quando mobiliamos nosso apartamento atual, pensamos muito sobre isso. Não queríamos muitos móveis, nem muita tralha pela casa. Pouca coisa demanda menos arrumação e isso foi chave para nosso bem estar.

No mês passado (janeiro 2018) nós contratamos uma diarista de 15 em 15 dias, que vem em casa e fica 3 horas (42€ por mês) . Ela limpa os banheiros, limpa todos os vidros da casa e, se sobra tempo, limpa a cozinha. O resto fica com a gente. O apartamento é todo novinho, fácil de limpar e arrumar, então este arranjo tem sido muito bom.

As meninas tem responsabilidades sobre seus quartos. Elas devem arrumar seus roupeiros e suas escrivaninhas uma vez por semana. Elas arrumam suas camas todos os dias e guardam suas roupas e livros. Manoela tira a louça da máquina e faz o café da manhã todos os dias. Juju dobra as roupas quando eu lavo, duas vezes por semana.

Hoje a rotina funciona lindamente. Elas fazem tudo sem reclamar, se tornou parte do dia a dia. Mas não foi sempre assim…

Nos primeiros meses era muita briga, discussão e até choro! Manoela ficava indignada de ter que fazer qualquer coisa do gênero. Achava mesmo “indigno”, se sentia ofendida e “explorada”, segundo palavras dela. Chorava e dizia que no Brasil era muito melhor, que as amigas dela não faziam nada disso e ela se sentia mal e injustiçada por ter que fazer. Foi preciso muita paciência, conversa, discussões e até exercício da autoridade para “enquadrá-la” na nova realidade. Hoje eu digo que cada segundo de stress valeu a pena. É duro e muito desgastante, mas deu certo.

Aqui quero abrir um parênteses. O que vou dizer vale para muitos outros aspectos, não somente para essa questão das tarefas domésticas. É mais amplo. Depois de quase um ano aqui, eu vejo que o meio tem sim muita influência. É quando, na escola, a professora exige ordem e capricho no cuidado com o material. É quando a professora exige que o aluno limpe sua bagunça e recolha o seu lixo. É quando a auxiliar do pátio chama o aluno e o manda juntar o papel que ele deixou cair no chão. É quando a amiguinha diz que só pode falar no whatsapp depois de arrumar o quarto. As crianças enxergam e sentem que todos fazem como elas tem que fazer. Diferente é quem não faz. E quem não faz é mal visto, é tido como preguiçoso ou até mesmo “inútil”. Percebe a diferença cultural?

Como mãe, eu tenho imensa satisfação de ver minhas meninas ativamente participando das tarefas da casa. Elas se sentem mais independentes, amadureceram em muitos aspectos.  Já começaram a ter iniciativa, a fazer algumas coisas sem que seja necessário pedir. Isso, para mim, é um grande avanço e uma enorme alegria.

Adaptação da mãe depois de mudar de país

Na aula de Yoga

 

Da minha parte, me descubro diariamente como dona de casa. Além de todas as tarefas que isso envolve, eu tenho meu trabalho de Marketing Digital, que exige algumas horas de trabalho diário (home office). Desde janeiro comecei a frequentar uma academia. Estava ganhando peso e começando a sentir dores no corpo. Foi o incentivo que faltava para retomar os exercícios físicos.

Hoje mesmo falei ao marido que essa parte não pode ser negligenciada. É a minha qualidade de vida, tanto no aspecto físico mas também no psicológico. Encontro amigas, pego sol (vou e volto caminhando), arejo a cabeça, saio de casa. Aumenta a vitalidade, a energia e combate qualquer depressão que possa vir a rondar. Sabe como é, às vezes a tristeza faz uma visitinha…

É a saudade que bate forte, de vez em quando, e deixa algumas cicatrizes. No meu caso ao menos, o movimento, o sol, o trabalho e as amigas são os melhores medicamentos. Manter a mente e o corpo ocupados tem sido fundamental.

Faço pilates e yoga 2x por semana, em dias alternados. Depois das aulas, comecei um treino para reforço muscular e perda de peso, por 30 minutos, 3x por semana. Em um mês já senti os benefícios. Não sinto mais dores nas costas nem nos joelhos. Tenho mais disposição, mais elasticidade e respiro melhor, por conta da yoga. Pago 40€ por mês na academia, com direito a horário livre e todas as aulas em grupo das 7:30 às 17:30. Além disso tenho direito a uma avaliação mensal para acompanhamento e revisão do treino. Vale cada centavo!

 

Adaptação da mãe depois de mudar de país

Encontro com as amigas queridas

 

Quero falar das amizades. A gente sofre de saudades das amigas e amigos que ficaram no Brasil, mas Portugal tem me presenteado com amigas e amigos incríveis. Tenho tido a sorte de encontrar pessoas que tem feito toda a diferença na nossa vida. Essa rede emocional faz com que a gente se sinta integrado, abraçado, unido e confortado quando bate a saudade, quando preciso de um tempo de casa, do marido, das filhas. É importante, faz bem pra alma! Nosso grupo de mães brasileiras se ajuda, ajuda quem precisa, faz campanha, marca encontro, faz passeios e conforta a alma. Se você vai mudar de país, procure os grupos nas redes sociais. Não descuide de sua rede de apoio, refaça suas amizades, venha aberta(o) para o novo. Eu garanto que uma ou outra não vai dar certo, mas use suas melhores luzes para manter aquelas pessoas especiais que você vai conhecer no caminho bem pertinho de você. O coração agradece, eu garanto.

 

Adaptação da mãe depois de mudar de país

Amigas!

 

Além disso, o contato com novas amizades pode trazer amigos e amigas para nossos filhos e filhas, o que é uma verdadeira bênção! As crianças também precisam refazer seu círculo de amizades para se sentirem mais felizes e adaptadas.

Para finalizar, quero reforçar que a mudança de país é um baque muito grande e você vai precisar de serenidade e de apoio (de seu companheiro, das amigas, da família) para passar pela fase inicial da melhor maneira. Não tenha medo de pedir ajuda. Você não está sozinho(a). Se vier aqui para Portugal, entre em contato através das redes sociais ou email (aspasseadeiras@aspasseadeiras.com.br). Se quiser entrar para nossos grupos de mulheres em Portugal, é só pedir e será muito bem vinda.

Mudar de país tem sido um desafio e um prazer. Hoje contei alguns aspectos práticos e me dei conta que muitos outros ficaram de fora. Fica para um próximo post!

Deixe seu comentário, divida suas preocupações e não tenha receio de pedir ajuda. Estamos aqui pra isso!

 

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Sobre o Autor : Claudia Bins

8 comentários

  1. Angela Cristina Antunes 27 de fevereiro de 2018, 02:08 comentar

    Oi, Cláudia. Tudo bem? Adorei esse post. Como já falei em outra ocasião, eu e meu marido estamos pensando em mudar pra Portugal em 2019. Então, adoro ler o que vc escreve. Cada vez me dá mais vontade de ir. Obrigada. Ah, terei muito prazer em te conhecer. Abraços.

    • Claudia Bins 27 de fevereiro de 2018, 11:07 comentar

      Que bom Angela, fico bem feliz! Vai ser um prazer te conhecer!

      Beijos,

      Clau

  2. Soraia 27 de fevereiro de 2018, 02:14 comentar

    Como sempre, excelente post!! Muito bom saber um pouco mais sobre vc, mãe, mulher e profissional! Afinal, tb precisamos ser o nosso centro!!! Adoro seu blog! Bjos

    • Claudia Bins 27 de fevereiro de 2018, 11:07 comentar

      Obrigada Soraia! :-)

      Beijos,

      Clau

  3. Ana Carolina Santos 5 de abril de 2018, 14:58 comentar

    É tanta adaptação… tanta coisa nova.. tanta saudade e medo.

    Ainda bem que o blog me permitiu conhecer você! Presente do blog e de Portugal!

    Te admiro! E fico feliz em fazer parte da sua família e vocês da nossa <3

    • Claudia Bins 5 de abril de 2018, 15:39 comentar

      Queridaaaaaa!!! Vocês também são presentes que a vida nova trouxe!

      <3

      Beijocas

  4. Larissa britto 1 de maio de 2018, 17:53 comentar

    Acabei de me mudar com minha família para Lisboa e tenho sofrido bastante nesse começo…Gostaria imensamente de fazer parte desse grupo táo especial e q certamente vai me ajudar a enfrentar melhor essa fase…Abs…

    • Claudia Bins 1 de maio de 2018, 18:03 comentar

      OI Larissa, claro, vai ser um prazer! Tem várias que moram em Lisboa mesmo.
      Vou mandar email pra você!

      Clau

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