Minha experiência com filhos em escola pública em Portugal

escola pública em portugal

 

Hoje eu tenho a alegria de dividir com vocês o depoimento da Michelle Aisenberg, a Mic do @aisenbergsporaí  e www.aisenbergsporai.com.br, que conta para nós como é sua experiência com filhos em escola pública em Portugal.  

Mic é super engajada, vive reunindo a mulherada aqui para eventos, encontros e até ginástica! :-) Ela tem dois filhos adolescentes, mora em Carcavelos e, como todas nós, corta um dobrado entre os papéis de mãe, esposa, profissional, filha, amiga e… imigrante. Bem vinda, Mic, e muito obrigada por ter aceito nosso convite! As portas do blog As Passeadeiras estarão sempre abertas para você dividir conosco sua experiência.

escola pública em portugal

Foto: @aisembergsporai


A minha experiência com filhos em escola pública em Portugal

Por Michelle Aisenberg

 

Quando decidi, em fevereiro do ano passado, que me mudaria para Portugal com minha família, nunca passou pela minha cabeça matricular meus filhos em uma escola particular.

Os motivos eram vários:

– Financeiro: depois de mais de uma década gastando uma fortuna de escola para duas crianças, a ideia de oferecer ensino de qualidade para meus filhos sem ter que vender os meus rins para isso me agradou muito;

– Qualidade: o ensino público em Portugal, principalmente o superior, são conhecidos no mundo todo. Em conversa com muitos brasileiros antes de me mudar, e com vários portugueses depois que eu cheguei, sempre ouvi falar bem sobre a edução pública na Terrinha. Levando em conta que meus filhos (11 e 13 anos) já têm uma ótima base, resolvi (não) pagar para ver! 😉

– Ideologia: uma das razões para eu sair do Brasil foi estourar a bolha em que meus filhos foram criados e sempre viveram. Em um país inseguro e com uma diferença social assustadora, que gera cada vez mais violência, isso é inevitável. Por mais que eu e meu marido tentássemos mostrar a realidade para eles, nada melhor do que conviver com a diversidade para aprender no dia a dia.

– Pertencimento: eu, Rafa e Juju somos portugueses, cidadania que herdamos do meu pai, que cá nasceu. Eu queria muito que eles (depois de passada a fase da adaptação, que ainda se arrasta) se integrassem com a nova cultura e, aos poucos, resgatassem um pouco da sensação de pertencimento. Uma forma de estar um pouco mais perto do avô, que nunca conheceram. <3

Dito isso, vamos ao que interessa? Depois de quase seis meses do início das aulas, acho que já posso falar um pouco sobre a realidade em uma escola pública portuguesa. Com tudo o que tem de bom e de nem tão bom. Vamos nessa?

 

Educação raiz x educação Nutella

 

Desde que nasceram, Rafa e Juju estudaram em boas escolas. Daquelas que os pais achavam que, porque estavam pagando, podiam interferir em tudo que quisessem. E isso sempre me deu nos nervos! Rs Como criar “cerumanos” com limites, se nem fora de casa as regras são para serem cumpridas?

Pois aqui, em uma pública, o negócio é: ou siga as regras, ou siga as regras. Não tem mãe e pai para irem lá conversar com a coordenadora para darem um jeitinho. Claro, temos espaço para ir à escola e falar sobre questões individuais do nosso filho.

Aliás, isso é algo que me agrada muito. Eu fiquei com medo deles só mais um número na ficha de matrícula, ou serem tratados diferentes por serem estrangeiros. Nunca aconteceu. Pelo contrário: são a atração da turma, já que são poucos os brasileiros que andam por lá.

A escola precisa prestar contas ao Ministério da Educação, então faltas e questões disciplinares precisam ser sempre justificadas. Ter os filhos de 5 a 18 anos na escola é obrigação legal e pode dar até cadeira se for descumprido.

No início, os meus dois resmungavam. Pediam pra eu falar com o professor X ou com o diretor de turma (que é o professor representante da escola, responsável pela turma). Agora, já aprenderam a se virar e raramente me ligam pra resolver algo que eles deveriam fazer sozinho.

 

Os pais também precisam se adaptar

 

O ano letivo aqui é dividido por trimestre. Então, o primeiro eu me senti flutuando, em crise de identidade. Quem sou eu? De que forma devo me relacionar com a escola?

Fiquei dividida entre ser a Michelle ativa e participativa que sempre fui nas escolas das crianças (mas sem interferir no seu funcionamento) e a Michelle que manda a turma pra estudar e entrega pra Deus.

O jogo virou depois da 2ª reunião de pais com os professores, no início do segundo trimestre. Com um pouco mais de tempo de estrada, já entendendo como o jogo funciona, comecei a entender como equilibrar esses meus dois lados.

Parei de me sentir tão distante ou sem saber do que acontecia naquele mundão (a escola tem dois mil alunos!) e comecei a me relacionar com os professores representantes de cada filho e com alguns pais das turmas.

Também aprendi detalhes práticos, como a necessidade de justificar na caderneta cada falta, além de olhar no sistema, via Internet, informativos, notas e outras informações. Atestado médico só é necessário se a criança falta mais de 3 dias consecutivos.

 

Quer diversidade? Então toma!

 

Na Escola Básica e Secundária de Carcavelos, onde as crianças estudam, as turmas vão do 5º (Juju) ao 12º ano (Ensino Secundário). Rafael está no 7º ano. Ao todo, são duas mil crianças, de 37 nacionalidades diferentes.

Diferente das escolas particulares aqui da região onde eu moro, que são cheias de brasileiros, na turma das crianças não há nenhum. No início, achei isso ruim. Eles mesmo buscavam essa referência logo que chegaram.  Agora, acho ótimo: a integração vai ter que acontecer, por bem ou por mal! rs

Além disso, a bolha estourou de vez: há todas as classes sociais na escola, dos mais abastados aos que precisam de ajuda do governo para se manter. Aqui, estudar em escola pública ou particular raramente é sinal de status. Em muitos casos, as escolas públicas são melhores referências na hora de conseguir vaga na faculdade.

Rafa já chegou contando que um amigo nunca vai à aula. E a polícia foi até a casa dele, para checar o que acontece. “O fulano disse que o pai dele nem liga se ele freqüenta a escola. E a mãe trabalha tanto que não tem nem tempo de se preocupar”, foi o que ele me disse.

Realidade, né, gente? Eu queria que eles vissem os dois lados da moeda. Tá aí!

 

Nem tudo são flores

 

Como tudo que é público (com excluindo aqui os países nórdicos, a suíça e a Islândia rs), os problemas existem, claro. Não fiz a matrícula pensando que estava garantindo uma vaga no paraíso para as crianças.

Dá pra perceber que o diretor e sua equipe têm que rebolar para fazer tudo o que querem dentro do orçamento que têm. E que há falta de funcionários. E até mesmo de professores, em alguns casos.

A saída é usar a criatividade e treinar a turma para ser colaborativa, resiliente e paciente. Não tem pessoal para ficar no pátio vigiando os miúdos? Eles se auto-regulam. Os maiores vigiam as menores. Deu ruim? O diretor (que é figura idolatrada pelos alunos) está sempre disponível e com as portas de sua sala aberta.

Deu problema com algum professor? Os representantes dos pais atuam (pelo menos da turma dos meus dois) de forma bastante ativa, junto à diretoria da escola e à associação dos pais. Juju ficou com uma professora de história cheia de problemas de saúde no primeiro trimestre, que mal conseguia dar aulas.

Os outros professores da matéria se revezavam para ajudá-la no que fosse possível. O resultado? Quando a nova professora de história chegou, Juju comemorou e deu mais valor.

 

escola pública em portugal

Mic passeando no Tejo. Foto: @aisenbersporai

 

Até agora, o balanço é positivo

 

Semana que vem termina o segundo trimestre. E lá vamos nós para o derradeiro. Olhando pra trás, eu vejo que tomei a decisão certa. Todos os pontos que eu coloquei lá em cima, como sendo importantes para a família, no que diz respeito à educação dos miúdos aqui de casa estão sendo cumpridas.

Pesquisei muito e consegui vaga em uma escola que tem uma filosofia de ensino muito parecida com a minha e do meu marido. Acho que isso vale a pena pesquisar bem antes de começar a luta na hora da matrícula (conto aqui, se quiser saber mais).

Portugal passa por uma flexibilização do currículo escolar, e isso quer dizer que os diretores terão mais autonomia para decidir como o conteúdo será transmitido aos alunos. Como eu acho que a escola é um lugar para despertar curiosidade, aprender novas realidades e, nas horas vagas, aprender, estou feliz com o lugar que escolhi.

Mesmo sabendo que ainda há um longo caminho para eles chegaram ao modelo de ensino que pretendem ter, gosto da ideia de saber que meus filhos estão participando dessa transição para um mundo mais interessante e um jeito mais condizente com a geração deles de aprender.

Ah, e já falei que eu não tiro um tostão do bolso por isso (além dos impostos que eu pago e são descontados direto na folha de pagamento, claaaro)? 😉

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Sobre o Autor : Claudia Bins

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