Ilhas Berlengas, Portugal que poucos conhecem

Berlengas

A primeira vez que vi uma foto das Ilhas Berlengas, no Instagram, foi paixão à primeira vista. A imagem do Forte São João Baptista, da ponte que o liga à Berlenga Grande e o contraste árido das cores terrosas contra o azul do céu e o verde do mar foram arrebatadores. Uma imagem vale mais que mil palavras, então vejam aqui, uma foto minha:

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O Forte São João Baptista na ilha Berlenga Grande

Sabendo que passaríamos alguns dias em São Martinho do Porto, perto de Peniche, a cidade praiana que serve de base para os barcos que fazem os passeios, foi só uma questão de tempo para realizar um dos meus destinos de sonho em Portugal

Pesquisei sobre os passeios e li que o jornal britânico “The Times” elegeu o parque de campismo da Berlenga Grande o mais “cool” da Europa e que a UNESCO, em 2011, a declarou Reserva Mundial da Biosfera. Elementos mais que suficientes para justificar uma visita à ilha. Como se precisasse algum, depois de ver as fotos!

Depois de alguns telefonemas, agendamos nossa visita para o dia 17 de julho (2017), uma segunda-feira. Não havia vagas para o sábado e o domingo em nenhuma das operadoras do passeio. Portanto a primeira dica é: Reserve com antecedência.

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Detalhes do Forte São João Baptista


As Ilhas Berlengas

São três ilhas graníticas que compõe o Arquipélago das Berlengas, sendo que a maior delas, aquela que se pode visitar e que também é habitada, se chama Berlenga Grande, com 1,5 km de comprimento por 800 metros de largura (bem pequena, não?). Situadas a 15 Km da costa oeste de Peniche, as outras 2 ilhas chamam as Estelas e os Farilhões-Forcados. Há um limite diário de visitas, por ser uma reserva da Biosfera. Somente 350 privilegiados podem visitar essa maravilha por dia, entre Maio e Setembro. 

A história do arquipélago é muito rica e já em 1465 o Rei Afonso V proibiu qualquer tipo de ações contra a natureza por lá! Há registros de presença humana desde o ano 1000 a.C. e foi um local bastante importante na rota marítima atlântica, que fazia ligação entre o Sul e o Norte do Continente Europeu. 

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Atrações nas Ilhas Berlengas


O que visitar nas Ilhas Berlengas

Na ilha Berlenga Grande, encontramos o Farol Duque de Brangança, construído no ano 1841, o Forte de São João Baptista das Berlengas, o Bairro dos Pescadores, o Camping das Berlengas, as Praias do Carreiro do Mosteiro, a Praia do Forte e a Praia Cova do Sonho. Para quem curte, há também a opção de fazer um passeio de barco (pago à parte) para conhecer  algumas das grutas das ilhas: Gruta da Flandres, Greta da Inês, Gruta do Brandal, Gruta Azul, Gruta Muxinga e a Gruta da Lagosteira. Algumas operadoras fazem passeios para observação de golfinhos e também pode-se fazer mergulho nas límpidas (porém geladas) águas do arquipélago. Observamos pessoas praticando Canoagem e também Stand Up Paddle.

Como ir

Peniche fica perto de Lisboa, pouco mais de uma hora pela autoestrada. Para quem sai do Porto, leva cerca de 2h30.  A viagem de barco, desde Peniche até Berlenga Grande leva cerca de meia-hora, para percorrer os 10 km que as separam. 

Para quem chega de carro, vá direto até a Marinha de Peniche, onde há um grande estacionamento que, apesar de pago (sistema de parquímetro) é bem barato. Nós fizemos o passeio de ida e volta no mesmo dia, saindo as 09:30 da manhã e retornando às 16:30. Durante este período pagamos pouco menos de 2 euros pelo estacionamento.

Dica das Passeadeiras: Verifique junto ao parquímetro se não há bilhetes disponíveis. Pessoas pagam por algum tempo e, se vão embora antes, deixam ali no parquímetro os bilhetes, ajudando os próximos usuários.

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Marinha de Peniche

Ali na Marinha, bem na entrada, ficam os quiosques das operadoras. Nós compramos  o passeio com a Viamar, que tinha ótimas recomendações nas redes sociais.  Pagamos 20€ por adulto e 10€ por criança, para uma viagem de ida e volta no mesmo dia. Clique no link para ver os preços e horários atualizados. É preciso chegar 40 mins antes da partida do barco, para pagar os bilhetes e pegar os vouchers.

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Preços em Julho de 2017

Depois de pegarmos os vouchers no quiosque da Viamar, saímos para um pequeno passeio ali ao redor da Marinha, pois ainda faltava cerca de 30 minutos para o barco Cabo Avelar Pessoa partir. Caminhamos até o forte que hoje funciona como o Museu Municipal de Peniche, que estava fechado por ser segunda-feira, mas ainda assim rendeu boas fotos. 

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Um pouquinho de Peniche

A rua em frente estava toda enfeitada e à noite, por ali, funciona um mini parque, com vários trucks de comidinhas e diversão.

Há um banheiro público simples, mas bem limpinho, à caminho do forte. Paramos ali antes de voltarmos à Marinha para apanharmos o barco, que chegou bem no horário. O Cabo Avelar Pessoa é um barco pequeno, com cadeiras individuais e um depósito central aberto, para quem quiser colocar seus pertences.

Dica das Passeadeiras: Estávamos em julho, um dos meses mais quentes do ano em Portugal. No entanto, a manhã estava bem nublada e ventosa. Felizmente levamos agasalhos, pois no barco, com o vento, estava bastante frio. A viagem foi bastante rápida, mas percebi que uma criança enjoou bastante. Os tripulantes forneceram saquinhos plásticos para quem precisasse “chamar o Hugo”. Felizmente As Passeadeiras ficaram bem e não fizemos uso.

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Prontas para embarcar


Passear nas Ilhas Berlengas

Dica das Passeadeiras: Assim que aportamos já percebemos que para passear na ilha é preciso caminhar muito… e morro acima! Portanto, se quiser fazer as trilhas e conhecer o que há de melhor por lá, vá com calçados apropriados, protetor solar, chapéu e água.  

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O Menu do Restaurante Mar e Sol

Ainda que o dia estivesse nublado, fazia muito calor e não há árvores e, apesar de cedo, resolvemos almoçar logo no único restaurante que há na ilha. Foi ótimo, justamente por ser o único, ele fica bastante cheio lá pelas 13:30. O Menu é até variado, se você pensar que está em um lugar praticamente ermo e os preços nada abusivos, na minha opinião e você pode escolher entre a esplanada e o restaurante. Nós pedimos Hambúrguers no prato e no pão e ficamos curtindo a vista na esplanada, enquanto almoçávamos.

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Almoçando nas Berlengas

Terminado o almoço e o descanso, seguimos morro acima, que a caminhada parecia grande. E era!

Apesar de muito íngreme, o caminho é tranquilo de fazer para quem tem algum preparo. As crianças curtiram as (milhares) de gaivotas pelo caminho, algumas até com filhotes. Eu, com meu medo de altura até que aguentei bem. Só incomodei bastante a Juju para ficar afastada da beira do penhasco (#medo).

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Iniciando a trilha para o Forte São João Baptista

Passamos pelo famoso (e mais cool) camping e seguimos em frente, contornando a ilha rumo à Fortaleza de São João Baptista. Achei bacana a vista e tals, mas camping sem nenhuma sombra, pouquíssima infra… sei lá, um pouco roots demais, pra mim. Mas cada um, cada um, certo? 

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O Camping da Berlenga Grande

Passamos primeiro pelo Farol Duque de Bragança, que fica no ponto mais elevado da ilha e que não é aberto a visitação, e seguimos em frente. Logo se pode avistar a Fortaleza, com suas muralhas dentadas, lá embaixo. Mesmo com o templo nublado é uma visão e tanto e a ansiedade de ver aquilo de perto deu forças para seguir em frente.

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Farol Duque de Bragança e as gaivotas pelo caminho

Quando termina a trilha, começam as escadarias que descem em direção ao Forte e, com elas, o suplício… Elas são estreitas, com degraus curtos e muito íngremes. Fazem curvas de arrepiar e não tem qualquer proteção. A dica, portanto, é ir devagar e cuidando muito onde pisa, tarefa dificílima, diante da beleza deslumbrante da paisagem que se descortina em nossa frente. Além disso, para descer, vocês já sabem…o santo ajuda. Mas já na volta… haja perna e coração! Mas veja bem, vale todo o sacrifício!

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O Forte São João Baptista

Não fosse o fluxo de pessoas indo e vindo, a vontade é de parar e fotografar até cansar, cada ângulo da vista. Mas é preciso sair da frente das pessoas, então, bora lá!

Do restaurante até o Forte tem cerca de 1 km de distância, o que não é muito. O problema é o declive do terreno e os degraus no caminho.

Mas se você persistir, como nós, chegará até a pequena ( e estreita) ponte que liga a ilha ao Forte.

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Chegando ao Forte

A fortificação do séc. XVII é cercada de histórias de ataques corsários, tentativas de sequestro de uma princesa, naufrágios e  pirataria, fazendo nossa imaginação voar bem longe enquanto atravessamos a ponte. Hoje em dia no local, funciona uma pequena pousada, muito simples e com pouquíssima infra-estrutura, mas onde pode-se passar a noite. Não há roupa de cama ou banho, nem banheiros privativos. A luz vem através de um gerador que não fica ligado o dia todo e para de funcionar à meia-noite. 

Há um café no centro da Fortaleza, mas um cartaz indica que somente os membros da Assossiação Amigos das Berlengas podem usufruir. Pelo que disseram por lá, é preciso levar sua própria alimentação se for pernoitar ali.

Tudo é muito simples, mas é possível visitar a parte interna do Forte, subindo as escadas e caminhando até o topo das muralhas. Não deixe de percorrer todo o perímetro, para ter uma vista privilegiada de todos os ângulos possíveis. As meninas se divertiram vendo algumas pessoas pularem das rochas para mergulhar no mar. A água é tão límpida que é possível vermos os peixes lá embaixo.

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Dentro do Forte

Também dá para ir nadando até a pequena praia do Forte.

Voltamos extasiados (e cansados) depois de subirmos todo o caminho de volta. Paramos no pequeno bar na Vila dos Pescadores para um café e gelados para as meninas, que depois quiseram ir até a Praia do Carreiro do Mosteiro.

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A Praia do Carreiro do Mosteiro

 

A praia é pequena e linda. Para chegar nela é preciso contornar o caminho e passar por uma ponte, sempre rente ao rochedo. A água é límpida e muito gelada. Refrescamos os pés, depois da caminhada, mas ninguém teve coragem de tomar banho! :-)

Assim que chegamos a Praia, as nuvens se foram e o dia abriu em um azulão daqueles, tornando toda a paisagem ainda mais linda.

Nem pensei duas vezes, reuni forças, deixei a família descansando e … voltei tudo de novo!

Eu sei, ganhei o troféu da maluquice total, mas eu é que não ia perder a oportunidade de ver o Forte sob o céu azul, sem nuvens. Fui mesmo… Quase morri de cansaço depois, não aguentei descer todo o caminho (pensando na subida) mas desci o suficiente para boas fotografias. Valeu cada gota de suor, não acham?

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A ilha Berlenga Grande com céu azul

Achei um privilégio as nuvens terem ido embora enquanto ainda estávamos na ilha. A paisagem realmente ganha em cor e luz, fazendo o cenário ainda mais bonito!

Antes mesmo do céu abrir, tínhamos decidido não fazer a outra trilha, para não cansar as meninas. Também já estava próximo do horário do barco voltar à Peniche, assim tampouco fizemos os passeios de barco para as grutas.

Mesmo tendo visitado somente o Forte, considero este um dos passeios mais bonitos que fizemos em Portugal e recomendo muito para quem quer ir além dos passeios mais conhecidos e comuns. Nós amamos!

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Sobre o Autor : Claudia Bins

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