Na continuação dos posts sobre nossa viagem de Bodas de Prata à Costa Amalfitana, hoje eu conto como foi nossa visita à Nápoles, nosso ponto de chegada/partida.
No post anterior eu contei uma visão geral de toda a viagem, que aconteceu em abril de 2026, em plena primavera. Passe lá para ler informações gerais e roteiro completo.
Um pouco sobre Nápoles
Nápoles é a terceira maior cidade da Itália, atrás de Roma e Milão. Possui mais de 3,11 milhões de habitantes em sua região metropolitana e é a capital da região da Campânia. Fundada pelos gregos no século VI a.C., é considerada o berço da pizza (1830) e da pizza Margherita (1889). Conhecida pelos movimentados túneis subterrâneos (Napoli Sotterranea) e pela escultura do Cristo Velado, entre outras atrações, abriga a casa de ópera mais antiga do mundo em atividade contínua.
Curiosidades
- – Nápoles deriva da palavra grega Neapolis, que significa “cidade nova”. Originalmente, recebeu esse nome de seus primeiros habitantes gregos no século VI a.C.
- – A primeira pizzaria da Itália, e na verdade do mundo, a Antica Pizzeria Port’Alba, foi inaugurada em Nápoles em 1830. Ela continua em funcionamento para quem quiser experimentar :-).
- – A clássica pizza Margherita recebeu esse nome em homenagem à rainha Margherita Teresa Giovanni, após sua visita a Nápoles no final do século XIX. Em 1889, o pizzaiolo Raffaele Esposito foi convidado a preparar uma pizza para o rei italiano Umberto I e sua esposa, a rainha Margherita. Ele fez uma pizza simples, com tomates frescos, queijo mussarela e manjericão.
- – Nápoles só passou a fazer parte da nova Itália em outubro de 1860, como parte do movimento de unificação italiana.
- – De acordo com um mito do século XIX, Partenope era uma linda sereia que vivia no Golfo Napolitano. Um dia conheceu um centauro chamado Vesuvius e, graças a uma flecha de amor lançada por Eros, se apaixonaram perdidamente. Viveram seu romance felizes até que Zeus, voltou seus olhos à Partenope, que o rejeitou. Cheio de raiva, transformou o centauro em um vulcão para que a sereia pudesse vê-lo, mas não tocá-lo. Partenope, destruída pela tristeza, cometeu suicídio e, seu corpo virou água e migrou para a costa. O litoral assumiu suas feições e ela se tornou a primeira forma da cidade napolitana. Finalmente, ela poderia estar mais perto de Vesuvius, seu amado agora imortal.
- – Os napolitanos são doidos pelo Maradona que, pelo que consta, foi o responsável por vitórias importantes do time local no período em que jogou por lá. É quase um Deus, com lojas, murais e fotografias por todos os lados.
- – O Quartieri Spagnoli é quase um mundo à parte. Confesso que não curti muito, não. Surgido no século XVI durante o domínio espanhol, o bairro foi criado para abrigar soldados, mas logo se tornou um local de prostituição e contrabando. Mais tarde virou uma comunidade que lembra muito alguns bairros brasileiros e que, apesar das aparências, abriga gente simples e autêntica, com lugares icônicos que viraram símbolo da cidade, tais como o mural do Maradona, a Igreja di Sant’Anne di Palazzo, o Santuário de Santa Maria Francesca delle Cinque Piaghe (atenção mulheres que querem engravidar, ali fica a tal “cadeira da fertilidade”), a Igreja della Santissima Trinità degli Spagnoli, que conserva tradições espanholas e o famoso restaurante da Nennella, que é muito conhecido nas redes sociais por seu ambiente descontraído, alegre e barulhento. Eu só não iria à noite, achei a vibe meio estranha.
- – O cornicello é um amuleto tradicional de Nápoles, e nós os encontramos por toda a parte. É usado para atrair sorte, prosperidade e proteção contra o mau-olhado (malocchio). Geralmente vermelho, cor que simboliza energia e vitalidade, o seu formato torto representa a capacidade de desviar influências negativas. É um souvenir simpático e engraçado, bem típico da região.
Chegando em Nápoles
Nosso voo Lisboa-Nápoles foi pela TAP, que tem voos diretos ao Aeroporto Internacional de Nápoles-Capodichino. Já na chegada dá para ver a baía de Nápoles, majestosa e o imponente Monte Vesúvio, que se ergue diante dos nossos olhos e nos faz pensar em quão frágeis somos diante do poder da natureza.
A chegada foi bem tranquila e logo na saída do aeroporto pode-se escolher tomar um autocarro (Alibus, 5€ por pessoa) para ir até o centro da cidade ou porto ou um táxi, que tem tarifa fixa de 35€ até o centro. Nós optamos pelo táxi pelo conforto da chegada. A viagem foi, no mínimo, uma experiência! Uma muvuca de trânsito que nem consigo descrever… eu não posso imaginar dirigir naquela cidade, sério!
Hotel Maison San Carlo
Nosso hotel ficava dentro da Galeria Umberto I, uma das grandes atrações turísticas da região. É um quarto, na verdade, sem recepção ou balcão de informações, nem café da manhã. Fiz a reserva pelo Booking e toda a comunicação com instruções de check in e, depois, check out foi feita por WhatsApp. Eu amei a experiência, mesmo não sendo um hotel tradicional. A localização era simplesmente fantástica, o quarto muito confortável, moderno, climatizado e romântico, com todo o conforto para quem vai passar alguns dias na cidade. Ficava a alguns passos da Praça do Plebiscito e do Porto, muito perto do Quartieri Spagnoli, de estações de Metrô e muitos restaurantes.
Acordar de manhã e abrir a janela, ver a Galeria Umberto I vazia, descer até o térreo e tomar café ali mesmo, foi muito boa a experiência!
Logo depois do check in já saímos para almoçar e passear. Abaixo eu deixo o roteiro que fizemos.
Roteiro do primeiro dia em Nápoles
A Galeria Umberto I foi construída entre 1887 e 1890 e foi a peça central de um enorme projeto de revitalização em Nápoles, conhecido como “Risanamento”. Seu nome é uma homenagem ao filho do primeiro rei da Itália unificada, o rei Vítor Emanuel II e sua esposa a arquiduquesa Adelaide da Áustria. Abriga lojas, cafés (até um Starbucks tem ali, mas sério, quem prefere Starbucks em plena Itália???) e uma livraria, no térreo. Nos andares superiores, abriga escritórios, empresas e até uma embaixada, além do nosso hotel.
Almoçamos em uma trattoria ali perto da Galeria Umberto I, chamada Casa Viscardi. Estava friozinho então sentamos dentro do restaurante, bem em frente ao forno e assistimos ao pizzaiolo fazendo nossas pizzas que, por sinal, estavam divinas! Na Via Santa Brigida, onde fica a Trattoria, tem um restaurante ao lado do outro. É só escolher! Como curiosidade, Nápoles foi a cidade onde a comida era mais barata. Fizemos uma pequena pesquisa informal, tendo como base a pizza marguerita e encontramos a mesma desde 6€ até 14€. Acreditem se quiserem, mas a de 6€ estava maravilhosa!
Depois de comer saímos a caminhar, começando pela Praça do Plebiscito, onde fica a basílica de San Francesco di Paola, o Palácio Real, o Palazzo Salerno e o Palazzo della Prefettura. A basílica foi dedicada à São Francisco de Paula, que havia ficado em um mosteiro neste local no século XVI. Havia muitas obras nos prédios ao redor. Passamos em frente ao Gran Caffé Gambrinus, que fica bem na esquina, e seguimos rumo à Via Toledo, passando em frente a famosa Antica Pizza Fritta da Zia Esterina Sorbillo.
A Via Toledo é uma das grandes avenidas de Nápoles, cheia de lojas, comidinhas e leva até o também famoso Quartieri Spagnoli e a Estação Toledo, considerada uma das mais bonitas da Europa.
No nosso roteiro fomos caminhando até o Quartieri Spagnoli e, depois, seguimos rumo ao Centro Histórico. Somente na volta pegamos o metrô e descemos na Estação Toledo para conhecer. Achei bonitinha e tals, mas nada demais pra ser bem sincera. As fotos e filmes ficam lindos mas ao vivo não é todo esse hype não, ao menos na minha opinião.
Seguimos andando até a Via Port’Alba e a Via dei Tribunali, passando pelo Centro Histórico até chegarmos na Catedral de São Gennaro, ou como é mais conhecida, Duomo di Napoli ou Duomo di Santa Maria Assunta.
Eu confesso que não sabia nada sobre San Gennaro antes de visitar a igreja e fiquei bastante curiosa. Aprendi que São Gennaro (São Januário em português) é o padroeiro de Nápoles, venerado como bispo e mártir cristão do século IV. Foi decapitado por volta de 305 d.C. durante a perseguição de Diocleciano e é famoso pelo milagre da liquefação do seu sangue, guardado em ampolas, que se torna líquido três vezes ao ano. Reza a lenda que logo após sua morte, uma mulher recolheu seu sangue, que se solidificou. Desde o século XIV então, o sangue sólido liquefaz-se milagrosamente três vezes por ano: no sábado anterior ao primeiro domingo de maio, a 19 de setembro (festa do santo) e 16 de dezembro. Quando isso não acontece, ou seja, a liquefação não ocorre, é visto como um mau presságio para a cidade de Nápoles. Curiosidade: Acredita-se que a intercessão de San Gennaro bloqueou a erupção do Vesúvio em 1631. Outra curiosidade é que o Tesouro de San Gennaro é famosíssimo: A capela que guarda o sangue do santo contém uma coleção de joias e relíquias, muitas vezes consideradas mais valiosas que as da Coroa Britânica e é aberta à visitação, ao lado da Catedral. Para saber os preços e comprar os tickets, clique aqui.
Seguimos nosso percurso, até a Porta Capuana, uma das Portas que delimitam o centro histórico de Nápoles, juntamente com a Porta Alba, a Porta Nolana e a Porta San Gennaro. Para mim, visitar lugares com influência espanhola em outros países sempre é motivo de curiosidade. Poucos sabem, mas durante o Séc XV houve ocupação espanhola em Nápoles (e em outros lugares da Itália), que durou de 1503 a 1707, período no qual o Reino de Nápoles funcionou como um vice-reino do Império Espanhol. As muralhas que vemos ao lado da Porta Capuana são chamadas de mura aragonesi, ou muralhas aragonesas, parte do sistema defensivo ampliado e reforçado durante a dinastia aragonesa, particularmente sob o reinado de Ferrante d’Aragona em 1484.
Apesar de uma história tão rica, o lugar hoje em dia é muito decadente. Infelizmente vimos muita sujeira, moradores de rua e pessoas claramente drogadas ali ao redor…
Voltamos andando até a estação de metrô que fica embaixo do Museu Arqueológico Nacional. Nossa ideia era visitar o museu, mas a verdade é que depois de um dia inteiro de viagem + essa caminhada toda (cerca de 6km), estávamos exaustos. Contabilizamos mais de 18.000 passos neste dia!
Assim, pegamos o metrô até a estação Toledo e fomos andando mais um pouco até o hotel. Jantamos espaguetti, bebemos um copo de vinho ali na Galeria mesmo e fomos descansar.
Dia 2 – Nápoles pela manhã e viagem à Sorrento
Acordamos depois de uma bela noite de sono e descemos para tomar café da manhã na Galeria Umberto mesmo, no melhor estilo italiano: um cornetto e um capuccino(seguido de um espresso) :-), em uma cafeteria histórica chamada Bar Brasiliano.
Depois, aproveitamos as poucas horas e fomos conhecer a região do passeio marítmo (Lungomare) até o Castel dell’Ovo. Uma delícia de passeio, com vistas deslumbrantes para o Vesúvio e o Golfo de Nápoles. Vimos vários hoteis lindos por lá, bem como cafés e restaurantes. Um passeio muito agradável, por sinal. Na volta passaos novamente pela Praça do Plebiscito e entramos um pouco no Palácio Real, um dos quatro palácios que serviram de residência aos reis de Nápoles e Sicília durante o seu reinado no Reino das Duas Sicílias. Foi residência dos vice-reis espanhóis e depois austríacos desde meados do século XVII até 1734, da dinastia Bourbon de 1734 a 1860, com o parêntese da Década Francesa de 1806 a 1815, e finalmente, após a unificação da Itália em 1861, da família Saboia . Foi vendido em 1919 por Vittorio Emanuele III de Saboia ao Estado, e é usado principalmente como museu, em particular os Apartamentos Reais, além de ser sede da Biblioteca Nacional.
Depois voltamos à Galeria, fizemos check out e seguimos andando até a estação Município, de onde pegamos o Metrô até a Estação Garibaldi. De lá, pegamos o comboio para Sorrento… mas isso é assunto para o próximo post!
Nápoles é muito rica em atrações e não tivemos tempo de ver muita coisa por lá. Com mais tempo, eu gostaria de ter visitado:
- O Museu Arqueológico Nacional.
- Visitar a famosa rua dos presépios, San Gregorio Armeno.
- Cappella Sansevero para ver a escultura “Cristo Velado”.
- Visitar a Nápoles Subterrânea (Napoli Sotterranea) para conhecer os antigos aquedutos e abrigos.
- Conhecer a Galleria Borbonica.
- Visitar o Complexo Monumental de Santa Chiara.
- Visitar o Castel Sant’Elmo.
- Visitar o Castel Nuovo.
- Visitar Pompeia e Herculano.
- Visitar o Museu Jago.
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