As Passeadeiras

Período de adaptação em uma adoção

Hoje a Luana, nossa colunista que é mãe de coração e alma, conta como foi o período de adaptação de sua filha, antes de ir definitivamente para casa. Mais um relato emocionante, terno e cheio de amor…

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Período de Adaptação em uma Adoção

Chegamos no primeiro dia de adaptação que possivelmente levaria uma semana nos sentindo preparados, pensando “vai ser tranquilo, ela tem apenas um ano, vamos tirar de letra”.

Doce sonho!! Primeiro dia ela estranhou, pois erámos duas pessoas com quem ela nunca havia tido contato, a peguei no colo ela chorou um pouquinho, conversei, entreguei os presentes, brincamos, fomos para o pátio e meu esposo mencionou em tentar pegá-la, mas neste dia não aconteceu, pois o choro começou novamente.

No dia dois lá fomos nós, já nervosos chegamos novamente na mesma salinha e, quando à trouxeram, ela nos enxergou e começou a chorar. Pronto, meu coração apertou e deu vontade de chorar junto. Segurei apertadinha no meu colo, mas ela demorou a se acalmar.

Fomos para a pracinha, brincamos, andamos de balanço mas, ao enxergar alguém conhecido, logo seus bracinhos se esticavam querendo ir para o colo de quem ela já estava acostumada e eu mantendo a calma tentava acalmá-la, desviava sua atenção para outra atividade.

Terceiro dia, uma sexta-feira, já sentindo que não seria fácil, fomos preparados para conversar com a psicóloga, pois para que a adaptação realmente acontecesse de forma tranquila, não seria legal que de hora em hora algum conhecido aparecesse e desviasse a atenção da pequena.

Neste dia então fomos com a assistente social e com a psicóloga até nossa casa para a baixinha já conhecer seu futuro lar. Amigos, pensem em uma pessoa feliz, era eu chegando com ela pela primeira vez em nossa casa! Mas como nada seria mole, ela desabou em choro. Conversa vai e consegui deixar ela bem. Neste dia retornamos ao abrigo e ela já estava indo com meu esposo e chegou dormindo.

Quarto dia, um sábado, seria o primeiro que poderíamos pegá-la por algumas horas para que ficasse conosco sozinhos. Optamos por buscá-la após o almoço, ela estava lindinha com tope na cabeça e uma roupinha que havíamos dado. Ela nos enxergou, esticou os bracinhos e lá fomos nós, pois era o primeiro dia que ela não chorava ao nos ver. Como logo ela dormiu, passamos no supermercado primeiro. Ela acordou com olhinhos brilhantes, prestando atenção em tudo ao seu redor, pois com  certeza era a primeira vez que saia do abrigo para um passeio como esse.

Chegamos em nossa casa, brincamos, escutamos a Galinha Pintadinha, troquei minha primeira fralda e nossa tarde foi emocionante. Quando fomos levá-la de volta, já no caminho ela dormiu. Acho que brincamos muito.

Domingo, nosso quinto dia, fomos buscá-la pela manhã. Seria nosso primeiro dia inteiro juntos. Ao chegarmos, nossa gordinha estava feliz, veio para meu colo super bem, sentou na cadeirinha do carro sem choro e fomos para casa. Nosso dia foi mágico, ela comeu bem, almoçou, fez os lanchinhos, dormiu um soninho  e chegou a hora de deixarmos ela novamente.

Ai amigos, o coração apertou, a garganta fechou e parecia que eu não ia conseguir descer as escadas do apartamento. Para completar, quando estávamos chegando próximo ao abrigo ela começou a chorar, como quem diz: “não me deixa”. Mas foi tudo bem, pois a tia mais querida estava lá esperando por ela, e logo a baixinha se distraiu.

Na segunda-feira, sexto dia, deixaram ela para passar o dia todo conosco e então deveríamos entregá-la ao final da tarde. Foi mais um dia muito gostoso e tudo transcorreu super bem, até o momento de deixá-la de volta, ai posso dizer de coração que foi o dia mais difícil.  Ela começou a chorar e a esticar os bracinhos me chamando para pegá-la de volta do colo da tia. Sim eu chorei, não consegui segurar as lágrimas no carro.

Finalmente era terça-feira e tudo havia sido perfeito. Conseguimos antecipar a ida dela para casa em definitivo conosco, que felicidade!

Chegamos no abrigo, ela estava lindinha, prontinha, sorridente e eu feliz, com uma alegria que não cabia dentro do peito. A baixinha foi surpreendente, se despediu das tias e dos coleguinhas sem chorar e veio para meu colo alegre, como quem diz :”mamãe agora  eu vou para casa!”

Sentou na cadeirinha e lá fomos nós, vivermos juntos o sonho mais lindo que nasceu de nossos corações…

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