Equivalência de medicina em Portugal antes do Tratado de Bologna

Equivalência de Medicina

Como funciona o processo de equivalência do curso de Medicina, aqui em Portugal?

Esta é uma das perguntas mais frequentes no nosso blog e Instagram e hoje a querida Dra. Maraiana Panaro aceitou nosso convite para contar sua experiência. Mariana fez todo o processo antes do Tratado de Bologna, portanto, hoje em dia existem algumas mudanças.

Lembro que para para exercer a medicina, ter o reconhecimento da especialidade médica para médicos formados fora da União Europeia é preciso requisitar a equivalência do diploma e fazer a inscrição na Ordem dos Médicos de Portugal. O tal processo atualmente encontra-se suspenso, por conta de uma revisão das regras atuais, pelo Conselho das Escolas Médicas Portuguesas. A expectativa é de que até o final do ano de 2018 esta revisão seja concluída e os processos de equivalência possam voltar a acontecer.

 

Mariana Panaro e sua lfilhota linda - Foto:@mapanaro

Mariana Panaro e sua lfilhota linda – Foto:@mapanaro

 

Equivalência de medicina em Portugal antes do tratado de Bologna

Por: Mariana Panaro

 

Em 2006  eu tinha uma vida normal no Brasil, fazia plantões, trabalhava numa clinica e tinha passado num concurso para também trabalhar num posto de saúde.  A minha mãe, que é portuguesa, já morava em Lisboa fazia uns 2 anos, para ajudar a cuidar da minha avó. O meu pai faleceu em setembro e em novembro eu sofri um sequestro relâmpago. Tive sorte que uma semana antes minha mãe tinha ido me visitar, tive sorte que a PM me salvou. Nesse dia minha mãe olhou para mim e disse: vem morar em Portugal. 

Então de dezembro até março foi cumprir aviso prévio, vender o que era possível, dar coisas, preparar documentos para equivalência da licenciatura, documentos para trazer a gata. E cheguei no dia 1º de abril, dia da mentira, sempre brinquei com isso. 

A equivalência da licenciatura foi um pequeno drama burocrático. Tive que estudar para as provas e no dia do júri houve algumas piadinhas com expressões médicas do Brasil que eram diferentes daqui. 

No Brasil eu já era ginecologista mas aqui não davam a equivalência da especialidade devido a diferença de tempo (aqui são 6 anos de faculdade e mais 6 de especialidade e no Brasil são 6 de faculdade e 3 de especialidade para ser ginecologista). Até que fui parar no interior de Portugal onde aceitavam que eu fizesse os anos para igualar. Depois, em 2012, prestei o exame e o júri me deu o Titulo de Especialista.

Ir para o interior foi bom, vidinha calma mas sofri preconceito com alguns colegas, por exemplo uma médica mais velha me perguntar se as brasileiras tinham aulas de sexo na escola já que pareciam saber tanto, outra que disse que a medicina no Brasil era coisa de pajé e a pior um cirurgião dizer que no Brasil as meninas iniciavam a vida sexual aos 8 anos. 

Eu ficava boquiaberta, como era possível tamanha falta de educação e cultura?? Mas ignorava e seguia o meu caminho. Porém sempre me doeu ter ouvido isso. 

Passados 6 meses entraram outros colegas brasileiros e o clima melhorou. Tive um casal de amigos que não conseguiu ficar, depois de tanta luta pela equivalência desistiram. Depois de 9 anos no interior, a vida me trouxe para Vila Franca de Xira. 

Atualmente não sinto preconceito talvez porque já tenho uma “armadura” para isso porém acho que uma parte dos portugueses ainda tem uma idéia pré concebida sobre brasileiros.

As minhas pacientes dizem que sou mais comunicativa que os médicos portugueses, mas já atendi brasileiras que ficavam espantadas ao perceberem no final da consulta ou após algumas consultas que eu também tinha vindo do mesmo lugar.

São 10 anos de Portugal, não me arrependo de nada, sinto falta dos amigos que deixei e de algumas comidinhas, sou casada com um português e ele adora meu jeito de ser. Tenho uma menina de 6 que fala português misturado com o brasileiro (não sei se influência minha ou dos youtubers brasileiros que ela gosta de assistir). 

Acho que aquela frase “ sou brasileiro e não desisto nunca” se encaixa muito bem com quem muda de país, não é fácil e acredito que seja mais difícil para quem deixa a família do outro lado do Atlântico, é preciso mudar por dentro também, desapegar de muita coisa, aceitar o jeito de ser do outro e que cada país tem o lado bom e mau.  

 

Mariana no trabalho - Foto: @mapanaro

Mariana no trabalho – Foto: @mapanaro

 

Sobre o Processo de equivalência

Primeiro lembrando que o meu processo de equivalência já tem 10 anos e muita coisa mudou com o Tratado de Bolonha. 
Eu pedi na minha faculdade todo o programa curricular, a descrição de cada cadeira, tudo descrito, todas as minhas notas, um documento em que dizia que ano entrei, que ano saí (atenção, tudo assinado e autenticado em cartório) peguei o meu diploma e levei no Consulado Português para eles também autenticarem.
 
Peguei em todos os lugares que trabalhei uma declaração dizendo o tempo que trabalhei, novamente tudo autenticado. Também reconheci isso no Consulado. Já em Portugal, fui à Fac. de Medicina do Hosp. São João e na época havia dois processos: o reconhecimento e a equivalência. A equivalência é como se vc depois tivesse se formado lá e poderia trabalhar na Europa toda, o reconhecimento era um acordo Brasil Portugal e só funcionaria aqui. Na época o reconhecimento estava super atrasado pois o Brasil não cumpria a parte dele com alunos portugueses e estava uma bagunça – segundo a secretária. Entreguei os documentos todos, paguei por volta de 400€ mais ou menos.
Na Equivalência inclui uma prova escrita e outra prática. A prática é avaliar um paciente e ser questionado por um júri além de fazerem perguntas sobre Medicina. Depois com a equivalência na mão ia na Ordem dos Médicos para validação e inscrição e novamente olharem documentos. Aqui é importante a experiência de trabalho. Tudo isto demorei quase 6 meses. Agora com o processo de Bolonha, creio que o Mestrado tem um peso importante.
 
As Equivalência não são todo ano, tem ano que não tem e tem faculdade de Medicina que não faz.
Bom, eu já era médica aqui e fui procurar trabalho. Eu não sabia mas os portugueses adoram encher linguiça nos currículos. Então entreguei uns daqueles do modelo europeu que é super resumido em uns hospitais portugueses e hoje sei que nem se deram o trabalho de ler. As administrativas até achavam estranho ser 2 folhinhas mas nunca diziam nada. 
 
Trabalhei então, numa empresa de Medicina do Trabalho, fazendo consulta dentro de lojas de restauração, metro. 
Até que um dia passou na TV uma reportagem sobre um Hospital na Covilhã que estava a precisar de Médicos Ginecologistas e que iria recorrer a estrangeiros. na hora a minha família toda ficou a ligar para eu tentar e pensei porque não. 
Liguei e falei com o diretor e ele marcou entrevista. Quando cheguei lá, foi o secretário dele que me disse: Dra, currículo aqui é assim, e me mostrou uma tese de 200 e tantas folhas. Era um currículo mas feito como tese, encadernado e tudo. Aí eu compreendi hahaha a cara das outras funcionárias. 
 
Na entrevista contei a minha situação e ele disse que o Hospital podia me contratar mas com cargo de residente/ interna até eu ter o compatível aos 6 anos para especialidade daqui.
Em 2011 entrei com o pedido de Equivalencia da Especialidade, este tem que ser feito na Ordem dos Médicos, eles avaliam o pedido e dizem que dão a especialidade direto (nunca fazem isso), se vai para Exame ou se nem vale a pena. E você responde que aceita ir ao Exame e um dia eles resolvem quando será o Exame. O Exame constitui por 2 dias em que avaliam o seu currículo, fazem perguntas e no outro fazem perguntas teórico-práticas, sempre um júri de 5 elementos da especialidade. 
 
No currículo tem que constar tudo, todo o tipo de consultas que você já fez, quantas e quais operações, todo o tipo de procedimento. Descrever os lugares que se trabalhou, números gerais desses locais. Um horror. Tudo muito detalhadinho. 
 
 
equivalência de medicina

Hospital Vila Franca de Xira – Foto: Correio da Manhã

 

Agora estou no Hosp. Vila Franca de Xira. Moro em Alverca que fica super perto. Acho a minha urbanização muito charmosa (Malvarosa) mas creio que exageram nos preços. Isso é algo que me assustou pois na Covilhã morar é muito mais barato. 
Minha filha está numa escola público-privada e estou satisfeita. 
 
Gosto de morar perto do Rio Tejo, é bonito acordar e ver o rio enquanto tomo café, tem fácil acesso a Lisboa e é calmo. 
Se tiver por aqui alguma seguidora da região me procure, pois assim montamos uma gangue, lol!
 
 
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Sobre o Autor : Claudia Bins

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