Diário de Portugal: Passeando em Faro

Passeando em Faro

No post de hoje conto sobre o dia que passamos passeando em Faro, a capital do Algarve. Foi um dia só, mas já deu para ter uma ideia do quanto precisamos voltar.

Faro é a maior cidade do Algarve e estava na minha mira assim que fechamos nossa viagem à Portugal. A questão toda foi o pouco tempo que teríamos para conhecer a cidade, visto que ficaríamos hospedados em Estoi, a poucos quilômetros dali e teríamos somente 2 noites antes de seguir viagem para Portimão.

 

Passeando em Faro

Pousada Palácio de Estoi

 

Leia aqui como é se hospedar no Palácio de Estoi, a pérola do Algarve.

 

A Reserva Natural da Ria Formosa, uma das 7 maravilhas de Portugal, é um estuário de 19 km de comprimento, formado por lagoas de água doce e salgadas que se comunicam com o mar através de barragens naturais ou artificiais. Situado às margens da Ria, Faro era conhecida como Ossonoba pelos romanos, mas registra ocupação anterior a eles, desde o séc VII a.C. com os fenícios da costa ocidental do Mar Mediterrâneo.  Se você curte passeios arqueológicos vai gostar de conhecer as Ruínas de Milreu, a 12 km de Faro. O centro histórico de Faro, ou Vila Adentro, é rodeado de muralhas e era ali o destino de nosso passeio.

Curioso sobre o nome Faro? O nome Faro provavelmente vem de Ben Harum, um príncipe importante do séc XI, durante o domínio mouro que se estendeu por 500 anos na região. Se você curte história vai gostar de saber que existe um grande mosaico no Arco do Repouso, uma das portas de acesso à Cidade Antiga, que conta a reconquista da cidade por D. Afonso III, em 1249. O Arco leva esse nome porque reza a lenda que o Rei parou ali para descansar depois da batalha. Outra curiosidade histórica é que em Faro, no século XV, foi impresso o primeiro livro português.

 

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Igreja do Carmo, Igreja de São Pedro e ninho de cegonha

 

Para chegar lá estacionamos o carro no Largo do Carmo, perto da Igreja do Carmo e sua Capela dos Ossos. Pagamos o parquímetro por 2 horas e seguimos em direção à marina, passando pela Igreja de São Pedro, no caminho. Já adianto que foi pouco. Tivemos que voltar para colocar mais moedas… #ficaadica. Era inverno (dezembro de 2016), a cidade estava muito calma, com poucos turistas passeando pela rua de pedestres que estava enfeitada para o natal. Dá para ver no mapa abaixo que a distância é curta, cerca de 1 km de caminhada. 

 

 

 

No caminho, além das ruas estreitas e das casas brancas que contrastavam com a cor azul do céu Algarvio, os ninhos das cegonhas do Algarve chamam a atenção de quem ergue os olhos. Em Portugal, segundo li, é proibido destruir ou estragar um ninho de cegonha. Uma antiga lenda diz que dá azar matar cegonhas e as aves são protegidas por exercerem um papel importante no controle biológico da região. Em nossa viagem observamos ninhos de cegonhas em várias regiões diferentes, sempre em locais muito altos. Nem preciso dizer que as crianças amaram!

 

Passeando em Faro

Passeando em Faro

Passeando em Faro

Passeando entre as muralhas e a Ria Formosa

Seguindo o passseio, cruzamos uma rua de pedestres e passamos pelo Jardim Manoel Bívar, à beira da Ria Formosa e em frente a linda Marina de Faro, seguindo nosso caminho até a Vila Adentro. Ao invés de passarmos pelo Arco da Vila, ao lado do escritório de Informações Turísticas de Faro, seguimos pela margem da Ria, contornando a antiga muralha. De longe pudemos avistar alguns pescadores e marisqueiros, assim como barqueiros oferecendo seus serviços aos poucos turistas que por ali passavam.

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Contornando as muralhas

 

Lá adiante, passando a Rosa dos Ventos, chegamos ao Restaurante O Castelo, cuja entrada fica do outro lado da muralha e onde pode-se jantar ou fazer um happy-hour com a vista deslumbrante da baía de Faro, vista de cima das muralhas da antiga cidade. Mas esse programa ficou para a próxima visita!

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Praça Afonso III e Largo da Sé

 

Após contornar a muralha seguimos em frente, pela Rua do Castelo, em direção ao Largo da Sé. Passamos pela Praça Afonso III, onde paramos por alguns instantes para apreciar a bela esplanada com restaurantes e bistrôs ultra convidativos, como o Tertúlia Algarvia e o Vila Adentro. Aqui as meninas se encantaram com os detalhes como a azulejaria divertida e as luminárias. A esplanada estava vazia, mas fiquei imaginando um final de tarde, com a brisa fresca soprando, um vinho branco gelado e aquele vai-e-vem típico das noites quentes de verão. Deve ser uma delícia!

Na Praça Afonso III fica a estátua em bronze do rei e ali em frente fica o Convento de Nossa Senhora da Assunção, do século XVI. No antigo convento hoje funciona o Museu Municipal de Faro, com coleções arqueológicas desde o período paleolítico até o medieval, assim como telas, armas e outros objetos.

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A Sé de Faro e seu campanário

 

Pertinho dali fica também o Largo de São Francisco, com o convento de mesmo nome, construído,em 1529 pelos frades Capuchos da Província da Piedade. Hoje em dia ali funciona a Escola de Hotelaria e Turismo de Faro. A igreja do antigo convento merece uma visita, que deixamos também para a próxima vez. A recomendação aqui é visitar o claustro e também os painéis de azulejos.

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O Paço Episcopal e arredores

 

Voltando ao Largo da Sé, paramos mais um pouco para apreciar a antiga igreja, cuja melhor vista se dá desde a praça cercada de laranjeiras onde fica a estátua do Bispo Francisco Gomes do Avelar e o Paço Episcopal, onde podemos ver um belíssimo revestimentos de azulejos, logo na entrada.

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O Arco da Vila e os doces algárvios

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Figos Cheios, doce típico do Algarve

 

Voltamos ao centro passando pelo Arco da Vila e pela estátua de São Tomás de Aquino. Nosso destino era uma das cafeterias que havíamos passado quando chegamos. Mais que café, buscávamos os famosos doces algarvios, tradição herdada dos mouros que deixaram seu legado também na culinária. O famosos Figos Cheios, recheados de amêndoas e especiarias chamaram nossa atenção e acabamos pedindo alguns para acompanhar “uma bica” (café espresso) para nós e um “garoto” (café com leite em xícara pequena) para as meninas. Uma delícia!!!

Amendoeiras em Flor (Foto: Portalraizes.com)

Amendoeiras em Flor (Foto: Portalraizes.com)

 

Falando em amêndoas, lá no Algarve diz-se que “o mar comanda a mesa e a amendoeira a sobremesa” e a Lenda das Amendoeiras é conhecida desde tempos ancestrais. De fevereiro a março é época de florada e é quando a magia da lenda vem à tona:

 

Lenda das Amendoeiras

 

“Quando o Algarve ainda se chamava Al-Gharb e Portugal não existia, havia um poderoso rei mouro, senhor de toda a região. Um dia conheceu Gilda, uma linda princesa loura vinda das terras do Norte. E o amor aconteceu. 

Gilda e o seu rei amavam-se, mas a ‘Bela do Norte’, como lhe chamavam, caiu numa tristeza profunda, que se mantinha inalterada dia após dia. O rei ficou muito preocupado e, obstinado em devolver a alegria à sua princesa, chamou especialistas de todo o mundo para que curassem a sua rainha. Mas nenhum acertava no diagnóstico e melancolia da princesa mantinha-se.

Até que um dia, um antigo aio da princesa disse ao rei pensar saber qual o problema: Gilda, a ‘Bela do Norte’ tinha saudades dos mantos brancos de neve que cobriam as terras do seu país lá longe. Para a tirar da melancolia, o aio recomendou ao rei mouro plantar por todo o seu território campos e campos de amendoeiras, que quando floriam pareciam estar cobertas de flocos de neve, num manto branco bonito de ser visto. 

Na Primavera seguinte, o rei chamou Gilda à janela do castelo e mostrou-lhe tamanho espetáculo branco que cobria as terras. A princesa ficou tão feliz pelo que viu, que recuperou as forças e a felicidade. E todos os anos na Primavera, a ‘Bela do Norte’ via um fantástico manto branco que lhe fazia matar as saudades da sua terra natal.

A lenda das Amendoeiras continua a persistir na memória e na cultura oral dos algarvios. A lenda ajusta-se para justificar a introdução desta árvore no Algarve. E todos os anos na Primavera, quando as amendoeiras dão flor, recorda-se o amor do rei pela sua princesa e a felicidade de Gilda.”

 (Fonte: Lendas de Portugal)

Assim terminou nosso passeio, que continuou no dia seguinte quando voltamos para almoçar e curtir um pouco mais da cidade, antes de seguirmos até Tavira, a linda cidade branca às margens do Rio Séqua. Mas esse é assunto para o próximo post!

 

Acompanhe as fotos da nossa viagem pelo Instagram @as_passeadeiras ou pela #aspasseadeiras.

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Sobre o Autor : Claudia Bins

14 comentários

  1. Helen Waldemarin 15 de fevereiro de 2017, 01:44 comentar

    Que lugar lindo!!!

    • Claudia Bins 15 de fevereiro de 2017, 11:41 comentar

      :-) É lindo demais Helen! Vale muito conhecer!

      Clau

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