As Passeadeiras

Costa Amalfitana a dois

Costa Amalfitana a dois

Em abril de 2001 nós dissemos “Sim”, desde então uma vida inteira lado a lado. Construímos uma família, mudamos de país e vivemos muitas aventuras (e desventuras também). Ainda assim, posso dizer com muita alegria, que nosso casamento merece celebração. Somos ainda apaixonados um pelo outro e pela vida que construímos juntos e, para comemorar nossas Bodas de Prata, viajamos para a Itália, onde percorremos a Costa Amalfitana a dois. Uma viagem romântica e muito especial.

No post de hoje eu conto o roteiro geral e deixo algumas dicas e sugestões para quem quer visitar aquela região também.

Mas antes, para quem não lembra, Bodas de Prata celebram 25 anos de casamento, simbolizando a durabilidade, nobreza e o brilho de um quarto de século de união. A prata representa um metal precioso que resiste ao tempo, refletindo a força da relação e a fidelidade. Acredita-se que a tradição começou na Alemanha medieval, onde casais recebiam coroas de prata aos 25 anos de casados. A prata representa a longevidade e a resistência, simbolizando que a união se tornou preciosa e sólida após 25 anos :-).

Região da Campânia, Itália

A Costa Amalfitana fica na região da Campânia, na parte sudoeste de Itália. Faz fronteira ao norte com a região do Lazio e tem costa com o Mar Tirreno a oeste, incluindo as ilhas de Procida, Íschia e a famosa Capri. É onde se localizam Pompeia e Herculano, famosos sítios históricos pela erupção do Vulcão Vesúvio, no ano de 79 d.C. O Vesúvio fica localizado entre Nápoles e Pompéia e é uma das grandes atrações da região. Para fins de locomoção, temos os Ferry Boats (excelentes, pontuais e confortáveis, mas mais caros). Se você resolver ir no verão, por favor nem pense em autocarros, evite o perrengue, e muito menos em alugar um carro – eu não aconselho carro em época nenhuma). A única exceção é Ravello, que fica no topo da montanha e não tem como ir de barco mesmo. Mas há uma alternativa anti perrengue para Ravello, que é o micro-ônibus Amico Shuttle Ravello, com lugares marcados, ar-condicionado e sem muvuca. De novo, é mais caro, mas vale o investimento.

O trânsito na Costa Amalfitana é insano. Em grande parte por que a estrada é estreita, os carros estacionam onde não deveriam e os autocarros que percorrem a estrada são grandes. Ou seja, um trecho de 17km entre Amalfi e Positano, em abril, leva 1h, 1:20min, para terem uma ideia. Imaginem no verão? As paragens são na própria estrada, sem lugar para sentar e em pleno sol. Por vezes as pessoas disputam lugar com os carros e ônibus e tem que se espremer para não serem atropeladas. Por vezes o trânsito pára totalmente pois é preciso que um dos lados dê ré para que o outro consiga passar… parece cena de filme e nem era alta temporada! Mais uma vantagem de estar em Amalfi, já que de lá partem muito dos autocarros e a chance de pegar um lugar sentado é maior.

 

Viagem de Bodas de Prata

 

Roteiro pela Costa Amalfitana a dois

Partimos de Lisboa com destino à Nápoles, a capital da Campânia, que não faz parte da Costa Amalfitana, mas é onde fica o aeroporto mais próximo e tem a grande vantagem de ter voos direto desde Lisboa, pela TAP. Aproveitamos para conhecer um pouco de Nápoles, antes de seguirmos até Sorrento, onde ficamos 3 noites e, finalmente, fomos à Amalfi, onde ficamos 4 noites. 

Em resumo, nosso roteiro foi assim. Nos próximos posts eu contarei mais detalhes sobre cada um:

Dia 1: Lisboa-Nápoles – Check in no hotel Maison  San Carlos. Passeio pela região do hotel, Quartieri  Spagnoli e Centro Histórico.

Dia 2: Nápolis-Sorrento – Passeio pela região do Castell dell’ovo, almoço e viagem de comboio/trem até Sorrento. Check in no Hotel Imperial Tramontano e passeio pelo centro de Sorrento.

Dia 3: Sorrento-Capri – Passeio de um dia até Capri,de Ferry Boat desde Sorrento. Voltamos e passeamos mais em Sorrento.

Dia 4: Sorrento – Passamos o dia em Sorrento, curtindo a cidade e o hotel.

Dia 5: Sorrento-Amalfi – Pegamos o Ferry Boat e fomos até Amalfi. Check in no Hotel Palazzo Don Salvatore. Passeio por Amalfi.

Dia 6: Amalfi-Positano – Passamos o dia em Positamo, onde fomos de autocarro/ônibus desde Amalfi. Voltamos à Amalfi a tardinha, onde passeamos um pouco pelo centrinho e jantamos por lá mesmo.

Dia 7: Amalfi-Ravello – Fomos de autocarro/ônibus de manhã, passeamos bastante em Ravello, almoçamos por lá e voltamos à Amalfi, onde curtimos o hotel e depois jantamos na cidade.

Dia 8: Amalfi-Atrani-Maiori – Fomos andando até Atrani, desde Amalfi. Depois pegamos o autocarro/ônibus e fomos até Maiori. Passeamos por lá e voltamos à Amalfi, onde almoçamos, passeamos mais e curtimos o hotel.

Dia 9: Amalfi-Nápoles – Retornamos à Nápoles de Ferry Boat, desde Amalfi e fomos direto do porto até o aeroporto, onde almoçamos e, depois, voltamos à Lisboa.

 

As vistas desde Ravello são espetaculares

 

Informações e percepções gerais

Aqui vou deixar um apanhado geral dos locais onde nos hospedamos e, nos próximos posts eu deixarei mais detalhes sobre cada um dos destinos visitados.

 

Um pouco de Nápolis

Nápoles

Nápoles é uma cidade bastante peculiar. Tem uma história riquíssima, mas não é uma cidade fácil de se gostar. Ela é muvucada, barulhenta e suja. O trânsito é caótico, com pessoas, motocicletas e veículos atravessando de um lado para o outro sem nenhuma regra aparente. Dito isso, eu não alugaria um carro em Nápoles e, mais adiante, eu conto o por quê não alugaria carro na Costa Amalfitana tampouco. Ainda assim eu gostei muito de visitar a cidade. Ao ponto de que acho que um dia só foi muito pouco. Eu ficaria, no mínimo, 2 dias inteiros por lá.

A boa notícia é que o transporte público é muito bom em Nápoles e o centro histórico é relativamente perto da região onde nos hospedamos (Praça do Município). Para quem curte caminhar, é bem tranquilo e pitoresco. Se planejar um pouquinho, vai conseguir fazer tudo caminhando mesmo ou, se cansar, basta pegar um metrô. Um aviso, no entanto. Em algumas estações que passamos, as escadas rolantes estavam avariadas, o que pode ser um problema para quem carrega malas ou tem problemas de mobilidade. Nem todas dispunham de elevador também.

Desde Nápoles, podemos visitar Pompéia, Herculano. Sorrento, Capri, Ischia e até mesmo a Costa Amalfitana. Tudo é perto e os serviços de Comboio e Ferry Boat são excelentes. Para os mas aventureiro, pode-se também visitar o Vesúvio. Existem duas linhas de comboio que atendem a região, a linha suburbana Circumvesiana (mais econômica, mas sem lugares marcados, com ar-condicionado meia-boca e, aparentemente, sem limite de lotação) e a Campania Express (mais cara, poucos vagões, somente lugares marcados, ar-condicionado ótimo e muito mais confortável). Ambas partem da estação Napoli Piazza Garibaldi, no subsolo da Napoli Centrale). 

Uma última consideração. Nós fomos na primavera. Estava bastante cheio de gente. Não consigo nem imaginar como é no verão… eu realmente acho que deve ser muito, muito complicado visitar a região no verão. 

De todos os lugares que visitamos, Nápolis foi onde comemos melhor. Há qualquer coisa de mágica na cidade que, qualquer comida de rua, qualquer restaurante por mais simples que seja, a comida é maravilhosa. Comemos ao lado do hotel, pizza e pasta e foi incrível. Outra coisa que chamou minha atenção, o vinho! Eu aproveitei para experimentar somente vinhos locais, feitos ali mesmo na região da Campania e… amei! Por vezes pedia o vinho da casa e era ótimo. O Prosecco regional era, por vezes, mais barato que um refrigerante e super honesto. Para um happy hour ao final da tarde… ai que saudade! 

Finalmente, pegamos um táxi desde o aeroporto até nosso hotel (tarifa fixa 35€) e, na volta, pegamos um Ferry Boat desde Amalfi até Nápolis e um autocarro (Alibus 5€ por pessoa) desde o porto até o aeroporto. O autocarro foi excelente! Na chegada eu confesso que prefiro gastar um pouco mais e chegar mais tranquila. Eu também pesquisei antes e a paragem de autocarro mais próxima do hotel ficava um pouco distante, então acho que foi boa escolha. Outra boa escolha foi ter voltado de Amalfi direto à Nápoles, de Ferry Boat. Não há comboios nas cidades famosas da Costa Amalfitana. Os comboios partem de Sorrento ou Salerno, o que tornaria a viagem bem mais cansativa.

 

A linda Sorrento

 

Sorrento 

Sorrento foi minha cidade favorita… eu sei que não faz parte da Costa Amalfitana, mas a cidade é um charme e eu amei conhecer. Com um centrinho histórico muito fácil de percorrer e cheio de lojinhas e restaurantes deliciosos, a localização de Sorrento, no alto da falésia, com vários locais de onde podemos simplesmente sentar e curtir o mar com o Vesúvio ao fundo… pra mim foi um sonho. Nós ficamos 3 noites por lá e eu achei que foi um bom tempo pra fazer alguns passeios e também curtir a cidade. Ter escolhido um hotel à beira da falésia colaborou, e muito, para o meu encantamento, além do fato de que ficava a uma curta distância tanto da estação de comboio quanto do porto.

 

Um pouco de Amalfi

Amalfi

De acordo com minhas pesquisas, Amalfi é meio que o patinho feio da Costa Amalfitana. Toda gente celebra Positano ou Ravello e eu li em vários locais que Amalfi “não vale a pena”, “bastam algumas horas”, etc… pois eu discordo profundamente. Nós tivemos as melhores experiências em Amalfi e eu considero um lugar confortável para ficar hospedado como base, enquanto visita a Costa Amalfitana. E eu explico o motivo: Amalfi é fácil, tranquila de se locomover. Chegando de Ferry Boat ou de Autocarro, você caminha poucos passos e já está no centrinho histórico. Do porto até nosso hotel foram exatos 7 minutos de caminhada leve carregando as malas. Todos os dias após os passeios, nossos finais de tarde eram caminhando na orla de Amalfi, para curtir o pôr-do-sol e um happy hour com vista mar. Ali nós provamos o melhor sorvete de limão e o melhor tiramisú da viagem. Nosso hotel era um sonho, espetacular mesmo e custava muito menos do que qualquer outro similar em Positano ou mesmo em Sorrento. O terminal de autocarros fica bem em frente ao porto de Amalfi, totalmente central e muito perto. Ou seja, a logística de Amalfi é muito favorável, ao contrário de Positano que é muito mais bombada e difícil de percorrer, com ruelas muito estreitas e uma multidão, além de um penhasco que exige pernas para subir (caso queira ver a cidade de cima ou pegar um autocarro) ou disposição de enfrentar filas quilométricas para o elevador. Não me entenda mal, Positano é linda e muito charmosa, só a logística de Positano é mais complicada.

São vários modelos de Ferry Boats, com diferentes tamanhos e configurações

 

O que eu teria feito diferente se soubesse o que sei agora

Teria ficado um dia a mais, no mínimo, em Nápolis. Teria visitado Herculano e/ou Pompeia (não visitamos por conta das filas gigantescas) e, ainda em Nápolis, teria visitado o Museu Nacional Arqueológico. O MANN é um verdadeiro tesouro de arte e artefatos da região do Vesúvio e da Campânia em geral. Possui uma coleção eclética de objetos, que inclui desde peças resgatadas de Pompeia e Herculano, moedas e pedras preciosas, até uma grande coleção de itens egípcios. Nós não fomos por absoluta exaustão :-), mas não faltou vontade.

Também teria visitado o museu Jago, que fica em uma antiga igreja (Chiesa di Sant’Aspreno ai Crociferi) e abriga as obras do artista conhecido como o Michelângelo moderno. Jacopo Cardillo, ou Jago, é um escultor e artista italiano contemporâneo, aclamado  por suas esculturas hiper-realistas em mármore. Radicado em Nápoles, ele reinterpreta técnicas clássicas para criar arte contemporânea emotiva. Eu que sou apaixonada por esculturas sou completamente fascinada pelas obras dele. Visite o instagram @jagomuseum para saber  mais.

Nápolis é a terceira maior cidade da itália, depois de Roma e Milão, então certamente dois dias são muito pouco para ver todas as atrações…

Como conclusão, nossa viagem entregou tudo. Foram destinos românticos, floridos, o clima estava muito agradável (calorzinho de dia e friozinho à noite, os hotéis foram certeiros. Enfim, celebramos a Costa Amalfita a dois no melhor estilo Bodas de Prata. Voltamos com o coração cheio e muitas memórias felizes, além da certeza que o tempo só nos fortaleceu. Foi nossa primeira viagem a dois desde o nascimento da Juju e foi um privilégio retomar nossas viagens a dois com este destino tão lindo.

Nos próximos posts, conforme prometido, contarei mais detalhes do nosso roteiro em cada cidade visitada.

Beijocas e até a próxima!

 

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