Nos posts anteriores eu contei sobre o roteiro geral da nossa Roadtrip de verão na Itália e também como foram nossos 4 dias em Roma. No post de hoje eu vou contar sobre o roteiro que fizemos para ir de Roma à Toscana, onde passamos a maior parte da nossa viagem. Nosso destino inicial era o Val d’Órcia, com pernoites em Montepulciano. Então, para facilitar, vou dividir os posts da Toscana em 3, um para cada local onde pernoitamos.
De Roma à Montepulciano de carro, o trajeto mais rápido leva cerca de 180km, mais ou menos 2 horas de viagem pela A1 (pedágio). Não foi nossa escolha. Optamos por outro trajeto para ir de Roma à Toscana, por que eu queria muito conhecer algumas atrações pelo caminho.
Mas se você fizer o trajeto mais rápido pela A1, sugiro que programa ao menos uma parada estratégica em Civita di Bagnoregio, uma das aldeias medievais mais lindas e conhecidas da Itália.
Não foi o nosso caso e abaixo eu conto o motivo!
De Roma à Toscana com 3 paradas pelo caminho
Saímos de Roma após pegarmos nosso carro alugado próximo ao aeroporto de Fiumicino (conto sobre o aluguel aqui) e seguimos pela A12 rumo à Civitavecchia, onde fizemos uma parada estratégica para almoçar. Civitavecchia fica a 70km de Roma ( por uma estrada pedagiada) e é onde fica um dos maiores portos turísticos da Itália e o segundo maior porto europeu por número de passageiros. É o ponto de parada dos grandes navios de cruzeiro que incluem Roma no roteiro. No nosso caso, optei por parar lá por que era à beira mar, tinha boa infraestrutura e ficava a uma distância confortável entre Roma e as Termas de Saturnia, o motivo pelo qual fizemos este caminho.
1. Civitavecchia
Foi fácil estacionar (parquímetro) no centrinho de Civitavecchia, próximo ao Forte Michelangelo, uma das atrações da cidade. O Forte fica no passeio marítmo que é uma graça de lugar e, de lá, pode-se visitar o Porto e a Marina. Almoçamos em um restaurante simpático e honesto, com vistas muito bonitas para o Forte e o Porto, chamado MAA Seafood e Lounge Bar, onde fomos muito bem atendidos. Ainda peguei um desconto de 30% no The Fork!
De lá caminhamos um pouco pela Promenada Civitavecchia para ver uma das estátuas chamadas Unconditional Surrender espalhadas pelo mundo. Anos atrás nós vimos uma delas, na praia de Sarasota, na Flórida e, para quem não sabe, existem várias espalhadas pelo mundo (New Jersey, Pearl Harbor, Hawaii, Normandia, …). Para quem tem mais tempo, vale passear pelo centrinho histórico, visitar o mercado, as Termas Taurine, o Parque Aquático Aquafelix e, é claro, as praias da região. Como não era nosso caso, depois de um gostoso café, seguimos viagem para a próxima parada: Saturnia.
2. Saturnia – Cascate del Mulino
A Cascata del Mulino morava nos meus sonhos há anos, totalmente encantada com as fotos e vídeos que via nas redes sociais. Era parada obrigatória e sem chance de não acontecer durante nossa viagem à Itália. Você já ouviu falar?
A Itália tem uma história de águas termais, devido à profusão delas principalmente na região da Toscana. Além de SPAs e hotéis belíssimos que oferecem acesso às águas com toda uma infraestrutura maravilhosa, pasmem, há também opções totalmente gratuitas! E, adivinhem… A Cascate del Mulino é uma delas :-). Claro que eu tinha que por no roteiro!
Há 83 km de distância de Civitavecchia, uma viagem muito rápida pelo sul da Toscana em uma região conhecida como Maremma, fica Saturnia. De origem Romana, a pequena cidade guarda alguns tesouros como a Piazza Vittorio Veneto, as muralhas, a Porta Romana, o Museu Arqueológico, mas nada disso estava no roteiro. Nosso único objetivo era entrar nas piscinas naturas de calcário citadas pelo New York Times na lista de destinos para ver pelo menos uma vez na vida.
As cascatas ali são formações naturais, com águas termais e sulfurosas que fluem de uma fonte natural a uma temperatura de 37ºC.
O local é aberto ao público e totalmente gratuito (acredite se quiser). O estacionamento é gratuito, no entanto, é um pouco longe e é preciso andar. Não é permitido estacionar na via de acesso à cascata. Vimos policiais multando carros ali! Um pouco antes da cascata tem um restaurante/Bar com banheiros abertos ao público e também lockers para guardar seus pertences. É um lugar bastante agradável mas não muito grande. Eu imagino que na alta temporada seja tenso ir lá!
Nós visitamos durante a semana por volta das 15h e estava super cheio. Outro ponto é que sendo verão, ao menos na minha opinião, não é a melhor altura para águas a 37º. Fazia muito calor e eu particularmente não curti o calor da água. Entendo e aprecio o valor terapêutico, mas acho que visitar cedinho da manhã ou no final do dia (abre 24h) quando a temperatura do ar está mais baixa, deve ser bem mais agradável. Ou em outras estações! Mas enfim, o local é belíssimo e eu adorei e recomendo a experiência.
Observações importantes:
– As águas são sulfúricas, ou seja, tem um cheiro de enxofre no ar. Em dias quentes o cheiro fica pior. Minhas meninas, por exemplo, não quiseram nem entrar por conta disso…
– Não tem vestiários. O povo chega de roupa de banho, deixa a toalha onde dá e na hora de ir embora não há chuveiros, então por conta disso não tomamos banho, já que íamos continuar a viagem depois.
– Águas termais não são recomendadas a quem sofre de pressão baixa, mulheres grávidas e crianças pequenas.
– É aconselhado calçar uma sandália ou sapatilha aquática pois há pedrinhas de seixo rolado no fundo que machucam os pés.
– Algumas pessoas falaram de bichinhos tipo minhocas vermelhas, que são inofensivas. Eu vi algumas mas não dei muito bola.
– Nas pesquisas que fiz havia vários conselhos de cuidar os pertences por conta de furtos no local.
Ficamos cerca de 2 horas ali e, depois, seguimos caminho até nossa terceira e última parada antes de Montepulciano.
3. Pitigliano
Somente a 23km de distância de Saturnia, era simplesmente impossível não parar para visitar a famosa Piccola Gerusalemme, ou Pequena Jerusalém, na região de Maremma ao sul da Toscana. Sabe aquelas aldeias de Tufo (um tipo de pedra vulcânica amarelada) que são marca registrada na Itália? Pois Pitigliano estava ali, bem pertinho e nós fomo lá conferir.
A chegada à cidade é impactante, já que da estrada sinuosa podemos ver o rochedo imenso e o vilarejo suspenso e majestoso como que guardando a paisagem. Parece uma volta ao passado, à época etrusca e à época medieval que ficou ali registrada na pedra.
Seu nome, reza a lenda, é oriundo de dois soldados romanos (Petilio e Ciliano), mas a cidade guarda registros de habitantes desde a pré-história (há cavernas com pinturas rupestres na região) e no séc. XVI abrigou uma grande comunidade judaica (daí o nome Piccola Gerusaleme) que se dissolveu durante a segunda guerra mundial.
Chegamos à cidade e estacionamos na “parte nova”, à direita da estrada. Há um pequeno parque com vários lugares para estacionar o carro (área azul). Colocamos 2 horas no parquímetro e saímos a caminhar pela cidade. Se você tiver mais tempo ou quiser arriscar, um pouco mais adiante tem o estacionamento do mercado, que é gratuito.
Seguimos por entre as ruelas, curtindo as casas de pedra, flores, portas, cafés, e alguns monumentos. O Aquedotto Mediceo chama a atenção logo na entrada da cidade, bem como as fontes de água da Piazza della Repubblica, como a Fontana delle Sette Cannelle. Passamos pela Fortezza Orsini e Palazzo Orsini, sede de dois museus (Arte Sacra e Arqueológico). Passeamos pela Via Roma e também pela Via Zucarelli, onde podemos ver os painéis que contam a história da cidade. Passamos pela Catedral e, atrás dela, fica o Gheto Ebraico.
Tomamos um café e as meninas tomaram sorvete na Praça principal, onde descansamos um pouco antes de retornar e seguir caminho. Aproveitei o passeio para espiar alguns menus em restaurantes, para saber dos pratos. Algumas dicas:
– La migliaccia di Pitigliano
– Tozzetti di Pitigliano
– Sfratti
– Focaccia bastarda con ricota e vin santo
– Tortello dolce fritto
Nas minhas pesquisas eu sempre procuro saber dos vinhos de cada lugar que visitamos e Pitigliano é a terra do Bianco de Pitigliano Doc, feito de uvas Trebbiano e Chardonnay cuja característica são notas frutadas e minerais, por conta do tufo. Provei um pouco em uma das lojinhas que oferecia degustação na cidade. Adorei!
Se você ficar mais tempo, saiba que há uma cidade inteira subterrânea em Pitigliano, descoberta durante a reconstrução pós-guerra e é possível visitar… vamos ter que voltar lá para ver!
Assim completamos nossa viagem e seguimos diretamente até nosso apartamento em Montepulciano. Chegamos lá e fomos muito bem recebidos, mas isso é assunto para o próximo post.
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